Aria Montgomery e o quanto temos em comum

Comecei a escrever aos 12 anos mais ou menos, depois de ter tido uma desilusão com o menininho que eu era apaixonada. Aqueles amores de criança, sabe? Graças à ele eu comprei meu primeiro diário. E desde então venho despejando meus sentimentos em diários anuais. Houveram alguns diários cor de rosa peludinhos, outros com capas de unicórnios. E hoje, aos 20 anos, eles ainda me acompanham todas às noites quando sento para escrever. Sim, eu ainda compro um novo diário todo final de ano - e escrevo um novo "capítulo" da minha vida todos os dias.


Qual a sensação?


Poder saber que independente do que vier a acontecer, minhas histórias estão guardadas e gravadas pela eternidade. Muita gente ri desse hábito, mas não faz ideia do quão valioso ele é. Diário é secreto. E por ser secreto, foi de onde começou a minha paixão pela escrita. Foi de um deles que saiu o "Nunca foi você", texto que escrevi aos 16 anos. Foi de um deles que saiu o "Não é o fim da nossa história", texto que escrevi aos 18 anos - quem me conhece pode fazer as contas e descobri sobre quem foi cada texto. E sim, quem foi, porque não são pessoas presentes na minha vida. Mas marcaram. E eu lembro. E eu transformei em textos. Viu como os diários foram importantes? Guardei neles todos os meus sentimentos - bons ou ruins - transformados em textos - alguns curtos, outros longos - até alguém me encorajar à mostrar pro mundo. Eu abri 1/20 do meu diário para vocês em janeiro de 2017.

E agora é quando vocês se perguntam... "Tá, mas o que a Aria Montgomery tem a ver com isso tudo?"

Depois da morte da amiga, Aria passou um tempo em outro país onde usou um diário para escrever como estava se sentindo em relação a tudo que aconteceu e ainda acontecia. Aria usou seu diário como um refúgio secreto do mundo. Aria sempre foi apaixonada pelo universo literário e, assim como eu, preferia passar horas lendo e tentando imaginar uma história nova à cada livro do que mostrar à cara ao mundo e ficar vulnerável ao caos.

Aria se apaixonou por um escritor que a magoou por tê-la feito acreditar que ele era algo, que infelizmente, mostrou não ser. Ezra usou de história que ela contava à favor dele. Abusou da confiança e passou dos limites. Eu também já tive o meu Ezra - só que com um final nada feliz.

Aria não é tão boa falando quanto é escrevendo. Para ela, é mais fácil escrever como se sente do que expressar ou conversar com alguém. Isso faz da Aria uma boa caixinha de segredos. Aria vê, sabe e faz coisas que ninguém em Rosewood conseguiria imaginar sequer um instante. Além de segredos, Aria guarda muitas surpresas em sua caixinha. Surpresas boas - e muitas ruins também. Aria sente a dor por todos. Se importa - muitas vezes mais do que o necessário - e acaba enfiando os pés pelas mãos, fazendo de um problema pequeno algo maior do que deveria ser. Eu e a Aria temos isso em comum, saber se expressar melhor escrevendo do que falando. E dificilmente deixando a mostra o que pensa, sente e o que vê. Sabemos muito bem esconder.

Aria tem uma personalidade forte e é bem do tipo "eu não ligo pro que você pensa". Ela se veste de forma original - e eu amo muitas das composições que ela usa na série. Aria namorou um professor sem pensar ou se importar com as consequências disso. Ela acreditou que era real e simplesmente viveu. Viveu sem medo do que ia acontecer quando tudo fosse descoberto. Viveu sem medo de se arrepender um dia. Viveu sem esperar que nada acontecesse em troca. Ela apenas viveu cada instante intensamente. Ela acreditou, e por acreditar, alcançou o que queria. O lado destemido da Aria é o que mais me cativou nela. Acredito ter aprendido a não me importar com a opinião dos outros a respeito do que eu faço, com ela. E eu agradeço-a por isso.


A vida se torna bem melhor a partir do momento em que você deixa de ligar pro que pensam e esperam de você.


Quando assisto Pretty Little Liars e vejo as cenas da Aria - as cotidianas, não as maluquices que envolvem A - me imagino agindo da mesma forma. Me vejo na Aria. Me vejo como uma pessoa que ninguém espera nada, mas que quando vê do que é capaz, se surpreende.

E existe uma fala dela na série que é como um mantra pra mim:
"ESTAMOS AQUI, AGORA. NÃO PODEMOS APENAS SERMOS FELIZES COM ISSO?"
Por que perder tempo infeliz, com medo, angustiado, com vergonha ou como for, se estamos aqui, agora, e podemos não estar mais a qualquer instante? Nós temos que aprender que felicidade começa por querer. Se você quiser ser feliz, não há ninguém no mundo que te impeça. Temos que viver como nós quisermos, como achamos correto. E daí que tem gente que discorda? Sempre terá. Mas não importa. Nós podemos - e temos - que sermos apenas felizes - e mais nada.


A vida é um sopro, e como uma vela, qualquer ventinho, por mais fraco que seja, pode apagar. E quando o vento persiste, dificilmente a vela se acende outra vez. Não deixe sua luz apagar.



A Aria me cativa e nos surpreende porque por trás de toda à trama da série, de cada conflito, ela tem muito mais a nos ensinar.


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