Excessos

Uma intensa inquietação me consome. “É... lá vem mais uma temporada de aflições atemporais”, eu pensei, perguntando a mim mesmo se isso era “comum”. 

É comum estar jogado na cama, enfrentando um tédio crônico e uma mínima vontade de viver? 

É comum ter uma cabeça tão cheia de conflitos, imaginando o quanto seria retira-los de lá... com um perfuração perfeita? 

É comum não sentir a vontade de sair do seu quarto, antro de seus torpes desejos impossíveis? 

É comum não falar com a sua parceira, os seus pais, o seu irmão ou qualquer alma que possa ter o mínimo de significância? 

É comum conversar e compreender tristes canções, aceitando todo o incômodo que ela transmite? 

É comum ter a ideia de que nada do que faz (ou possa fazer) vai dar certo, como se tudo não passasse de uma mentira mal contada? 

É comum ser tão incomum assim? 

Sou uma maquiagem perfeita de piadas sem graça e tentativas falhas de me enturmar com quem não parece querer, nem sequer, a minha presença. É por essas e outras que inicio a minha playlist no Spotify e acendo o meu cigarro imaginário, contribuinte das minhas ideias mais mortais. A minha morfina se tornou a minha própria dor mental, a qual, eu creio, nenhum psicólogo teria o prazer de entrar. Eu estou começando a deixar de ser uma fotografia de fonte Vintage e torno-me, aos poucos, uma fotografia Black & White. 

O irônico é que eu conto os dias para ser apenas uma fotografia rasgada, jogada fora em uma lixeira qualquer.

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