Você me cansou de ser 2, hoje sou 1 unidade

Os números ímpares sempre me deram nojinho, não sei o porquê. Agora eu sei. Sei porque você me deixou, para ficar com o seu namorado. Éramos dois, mas ele brotou em nossas vidas, querendo impedir que nosso relacionamento persistisse, mesmo que tivéssemos uma só amizade. E irmandade. Ele era o número três entre nós, mas queria que fossem só vocês dois, sem ninguém, muitos menos eu, para atrapalhar o grande amor presente. Canalhada. E eu, tolinho, tolinho.

Mesmo não amando a matemática, ela poderia ser usada em nós, mas o seu boy passou a dividir o seu tempo, mais para ele e menos para mim. E uma hora esse tempo se findou pra mim, crescendo robustamente pra ele, como se fosse um download finalizado com sucesso. Apelidei-o de boy cestinho, pois é isso que ele é: um cestinho cheio de sentimentos embebidos em manipulação e maldade. Ele poderia ter usado a multiplicação, aumentando o amor entre vocês dois, e deixando que eu fizesse o nosso crescer também. Eu jamais pensaria que você deixaria o nosso relacionamento terminar em resto, tal como o processo de divisão. E esse resto é um belo zero.

Sem querer, criei manias válidas e rotineiras, como não assistir televisão com o volume parado em número ímpar, pois eu acabava me lembrando, enraivecido, e remoendo o nosso fim. Pelo menos, eu sempre amei os pares, e amava o nosso, que era inteiramente bonito e imperfeito. Seu boy iludiu você, mesmo você mal sendo vulnerável a ilusão. Creio que o cestinho que ele é também contém pó mágico, tão incrível e ilusório. E o que eu sinto em palavras mudou, pois hoje eu só escrevo tendo eu mesmo como inspiração, não mais você.

O que eu sinto em números, também. Só o 1 me representa e estampa o meu peito, não mais o 2, que mostrava ser eu e você. O caminho para a felicidade eu ainda não encontrei, pois não me acostumei a andar sozinho. Era como se você fosse o meu segundo espelho, tão especial quanto o meu reflexo interior, pois ambos se entendiam. Mas o seu se quebrou para mim, ele teve que se quebrar, já que agora eu preciso me entender sozinho. Fico me perguntando se o boy cestinho enrola outras girls, girls cestinhas. Cestinhas recheadas com bondade, solidão e sede sentimental. Que esperam ser amadas, para morrerem com pelo menos um sentimento bom em seus corpos. Pena que o amor-próprio não se encontra nessas cestinhas que elas são. E com tamanha fragilidade, fica mais fácil elas serem persuadidas, onde se inicia o começo para uma decepção. Se você vai se decepcionar, eu não sei e não quero. Eu não quero que você continue sendo uma cestinha frívola.

Doeu ver você me trocando, sem remorso. Doeu ver seus sentimentos se juntando numa cesta só para o seu namorado, e, eu ficando debaixo, sem o nosso carinho. Doeu ver sua mão segurando outra, que não a minha. E o pior, doeu ouvir você se justificando pra mim, com lágrimas que se secavam em segundos. Falsas. E encenadas com vários ensaios esforçados por ele. Não espero que você volte para mim, nem que a nossa irmandade renasça. Eu só espero conseguir viver comigo, pois hoje eu sou uma unidade. E unidade também é feliz, pois cabe coisas grandes e boas, menos você, porque agora o número dois também me amola.

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