Minha consciência está limpa?

O adolescente Peter Parker, o herói homem-aranha, ganha um uniforme com uma voz feminina, como se fosse a voz da consciência, que ajuda-o em seus atos como amigão da vizinhança, e, depois, defensor da cidade que reside. Ela passa a ser chamada de Karen, se tornando uma grande amiga - e conselheira amorosa em seu único, e possível, relacionamento de amor. Mas, acalme-se, pois esse texto não é sobre o heroísmo de personagens com superpoderes. É sobre mim. É sobre o meu inconsciente, que, hum, é mais louco que eu, juro.

Meus ombros transportavam em si dois seres diferentes. Um diabinho, vermelho e atarefado com a ira, e um anjinho, bonzinho e nada irônico. Os dois eram meus conselheiros, mesmo que me atrapalhassem mais que ajudassem. Porém, o meu inconsciente bocejou e acordou, botando os dois pro chão, e assumindo as rédeas dos meus pensamentos tão logo do meu coração. Eu não citei a Karen em troca de nada, não, pois o tal inconsciente alojado em minha cabeça também ganhou um nome.

Chamo-o de caíque. É, assim mesmo, sem letra maiúscula no começo, porque considero ele tão pequeno em mim, que em alguns dias - raros - eu esqueço que ele existe. Revoltado, caíque me dá um beliscão mental sempre que isso acontece. Além disso, ele me lembra cheio de pompa o quanto é importante para mim, já que é o responsável pelo bom senso quando eu penso em realizar certas ações perigosas - do tipo de me apaixonar. Parece algo engraçado ficar movendo os lábios quase de modo pausado, conversando com esse inconsciente. Sim, eu faço isso, principalmente quando ando sozinho pelas ruas. Quando acham que estou sussurrando uma letra de uma música favorita, mal sabem que estou me aconselhando com o caíque.

Mesmo sendo um pouco duro, caíque, hoje, está com uma disposição crescente pra me empurrar na linha que me levará ao encontro com a coragem para eu desembuchar o que sinto por um amigo, assim como à Karen incentivou o Peter.

Entretanto, pôr uma amizade em risco não é bom, e nem mesmo com milhares de incentivos do meu inconsciente, irei revelar essa minha paixão. Estou bem, e sei guardar sentimentos como ninguém. Então, com meu coração cheio, mas também livre, seguirei vivendo sem me enrolar, diferente do herói aracnídeo, que só se metia em confusões.

E, agora, vou silenciar o caíque, pra eu poder voltar à assumir mais uma vez o centro de controle de mim, do meu coração. Mas, só por garantia, é melhor deixar ele como subchefe, né?

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